Panorama da Espinha Bífida na Região Sudeste do Brasil

Análise Epidemiológica de 2014 a 2023

Autores

  • Nathália Gonçalves de Melo
  • Manoela Tovo Kinner
  • Maria Julia Bergamo Segala
  • Karin Kristina Pereira Smolarek

Palavras-chave:

Mal formação congênita, Defeito de tubo neural, Epidemiologia

Resumo

Objetivo: Os defeitos do tubo neural, especialmente a espinha bífida, são anomalias congênitas de grande relevância clínica e epidemiológica, decorrentes de alterações no desenvolvimento embrionário do sistema nervoso central, associadas a múltiplos fatores de risco. Este estudo analisou o perfil epidemiológico da espinha bífida na Região Sudeste do Brasil (2014-2023), a partir de uma investigação observacional, descritiva, retrospectiva e quantitativa, baseada em dados do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC/DATASUS). No período, foram registrados 2.956 casos, predominando em São Paulo (58,9%), seguido por Minas Gerais (20,1%), Rio de Janeiro (17,0%) e Espírito Santo (3,8%). A incidência média foi de 2,70/10.000 nascidos vivos, com discreta redução ao longo dos anos. Houve maior frequência de cesarianas (85,4%), predominância de nascidos a termo (65,6%), peso médio de 2.752 g e melhora significativa nas notas de Apgar do 1º para o 5º minuto. Observou-se predomínio de mães com escolaridade intermediária (8 a 11 anos) e maior ocorrência entre recém-nascidos brancos (48,7%) e pardos (41,2%). Os achados reforçam a importância da suplementação de ácido fólico e da fortificação alimentar como medidas preventivas, e evidenciam desigualdades regionais e socioeconômicas na ocorrência da espinha bífida.

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Publicado

2026-03-01

Como Citar

Melo, N. G. de, Kinner, M. T., Segala, M. J. B., & Smolarek, K. K. P. (2026). Panorama da Espinha Bífida na Região Sudeste do Brasil: Análise Epidemiológica de 2014 a 2023. REVISA, 15(Esp.2), 135–141. Recuperado de https://rdcsa.emnuvens.com.br/revista/article/view/1091

Edição

Seção

Artigo Original