Panorama da Espinha Bífida na Região Sudeste do Brasil
Análise Epidemiológica de 2014 a 2023
Palavras-chave:
Mal formação congênita, Defeito de tubo neural, EpidemiologiaResumo
Objetivo: Os defeitos do tubo neural, especialmente a espinha bífida, são anomalias congênitas de grande relevância clínica e epidemiológica, decorrentes de alterações no desenvolvimento embrionário do sistema nervoso central, associadas a múltiplos fatores de risco. Este estudo analisou o perfil epidemiológico da espinha bífida na Região Sudeste do Brasil (2014-2023), a partir de uma investigação observacional, descritiva, retrospectiva e quantitativa, baseada em dados do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC/DATASUS). No período, foram registrados 2.956 casos, predominando em São Paulo (58,9%), seguido por Minas Gerais (20,1%), Rio de Janeiro (17,0%) e Espírito Santo (3,8%). A incidência média foi de 2,70/10.000 nascidos vivos, com discreta redução ao longo dos anos. Houve maior frequência de cesarianas (85,4%), predominância de nascidos a termo (65,6%), peso médio de 2.752 g e melhora significativa nas notas de Apgar do 1º para o 5º minuto. Observou-se predomínio de mães com escolaridade intermediária (8 a 11 anos) e maior ocorrência entre recém-nascidos brancos (48,7%) e pardos (41,2%). Os achados reforçam a importância da suplementação de ácido fólico e da fortificação alimentar como medidas preventivas, e evidenciam desigualdades regionais e socioeconômicas na ocorrência da espinha bífida.
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