Perfil epidemiológico dos óbitos maternos por complicações anestésicas

estudo baseado no DataSUS

Autores

  • Natalia Mariana da Silva Luna
  • Julia Helena Estrella
  • Ana Beatriz Landim Ribeiro
  • Wayne Nogueira Coelho
  • Rhanya El Hayek
  • Izabela Oliveira Cerqueira Caldas
  • Anne Berriel Abreu Alecrin
  • Gilberto Sadala Mendes

Palavras-chave:

Anestesia Obstétrica, Complicações Intraoperatórias, Mortalidade Materna

Resumo

Objetivo: A anestesia obstétrica é essencial para segurança no parto, sendo indicador da qualidade assistencial. Técnicas neuroaxiais predominam por eficácia e baixo risco, mas complicações ainda ocorrem em cenários de infraestrutura limitada. Este estudo descritivo analisou óbitos por complicações anestésicas durante o parto no Brasil, entre 2003 e 2023, com dados do DATASUS. Foram registrados 196 óbitos, com maior incidência na região Nordeste (30,1%), seguida pelas regiões Sul (22,9%) e Sudeste (18,8%). A maioria das mortes ocorreu em ambiente hospitalar (95,4%), com predominância na faixa etária de 20 a 29 anos (51,02%), contrastando com estudos que apontam maior risco em adolescentes ou mulheres acima de 35 anos. Além disso, 48,5% das mulheres eram solteiras, evidenciando possíveis vulnerabilidades sociais e menor acesso a cuidados adequados. Os dados revelam desigualdades regionais e estruturais na assistência obstétrica brasileira. Conclui-se que o fortalecimento da infraestrutura hospitalar, a capacitação das equipes multiprofissionais e a formulação de políticas públicas específicas são essenciais para reduzir a mortalidade materna evitável. A análise de fatores epidemiológicos é crucial para embasar estratégias de prevenção e qualificar a anestesia obstétrica no Brasil, promovendo maior equidade e segurança na atenção ao parto.

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Publicado

2026-03-01

Como Citar

Luna , N. M. da S., Estrella , J. H., Ribeiro , A. B. L., Coelho , W. N., Hayek , R. E., Caldas , I. O. C., … Mendes , G. S. (2026). Perfil epidemiológico dos óbitos maternos por complicações anestésicas: estudo baseado no DataSUS. REVISA, 15(Esp.3), 118–124. Recuperado de https://rdcsa.emnuvens.com.br/revista/article/view/1118