Perfil epidemiológico dos óbitos maternos por complicações anestésicas
estudo baseado no DataSUS
Palavras-chave:
Anestesia Obstétrica, Complicações Intraoperatórias, Mortalidade MaternaResumo
Objetivo: A anestesia obstétrica é essencial para segurança no parto, sendo indicador da qualidade assistencial. Técnicas neuroaxiais predominam por eficácia e baixo risco, mas complicações ainda ocorrem em cenários de infraestrutura limitada. Este estudo descritivo analisou óbitos por complicações anestésicas durante o parto no Brasil, entre 2003 e 2023, com dados do DATASUS. Foram registrados 196 óbitos, com maior incidência na região Nordeste (30,1%), seguida pelas regiões Sul (22,9%) e Sudeste (18,8%). A maioria das mortes ocorreu em ambiente hospitalar (95,4%), com predominância na faixa etária de 20 a 29 anos (51,02%), contrastando com estudos que apontam maior risco em adolescentes ou mulheres acima de 35 anos. Além disso, 48,5% das mulheres eram solteiras, evidenciando possíveis vulnerabilidades sociais e menor acesso a cuidados adequados. Os dados revelam desigualdades regionais e estruturais na assistência obstétrica brasileira. Conclui-se que o fortalecimento da infraestrutura hospitalar, a capacitação das equipes multiprofissionais e a formulação de políticas públicas específicas são essenciais para reduzir a mortalidade materna evitável. A análise de fatores epidemiológicos é crucial para embasar estratégias de prevenção e qualificar a anestesia obstétrica no Brasil, promovendo maior equidade e segurança na atenção ao parto.
Referências
ACOG. First and Second Stage Labor Management. Obstet Gynecol. 2024;143(3):e1-e21.
Carvalho B, Butwick AJ. Neuraxial analgesia for labor: Current perspectives. Local Reg Anesth. 2020; 13:1-12.
Sociedade Brasileira de Anestesiologia. Recomendações de segurança em anestesia regional. Rev Bras Anestesiol. 2020;70(4):375-84.
American Society of Anesthesiologists. Statement on neurologic complications of neuraxial analgesia/anesthesia in obstetrics. ASA; 2023.
Domingues RMSM, Viellas EF, Dias MAB, et al. Maternal mortality in Brazil: regional disparities and temporal trends. Rev Saúde Pública. 2023; 57:38.
Ministério da Saúde (BR). Painel de Monitoramento da Mortalidade Materna. DATASUS. Brasília: MS; 2023.
Mhyre JM, D’Oria R, Hameed AB, Lappen JR, Holley SL, Hunter SK, et al. The maternal early warning criteria: a proposal from the national partnership for maternal safety. Obstet Gynecol. 2014;124(4):782-6.
Diniz SG, d’Orsi E, Domingues RMSM, Torres JA, Dias MAB, Schneck CA, et al. Implementação da presença de acompanhantes durante a internação para o parto no Brasil: resultados da pesquisa Nascer no Brasil. Cad Saúde Pública. 2014;30 Suppl 1:S140-53.
Guglielminotti J, Wong CA, Landau R, Li G. Major anesthesia-related maternal complications in New York State: associations with maternal and neonatal outcomes. Anesth Analg. 2016;122(6):1947-55.
Hawkins JL. Maternal mortality related to anesthesia: recent findings. Clin Obstet Gynecol. 2003;46(3):679-87.
Leite RM, Lima ML, Souza AI, et al. Fatores de risco para mortalidade materna em área urbana do Brasil. Cad Saúde Pública. 2011;27(3):535-43. doi:10.1590/S0102-311X2011000300013. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csp/a/VTkBGJmY3dTJFwJ53gFJRrL/
Soares VMN, Cecatti JG, Costa ML, et al. Causas de mortalidade materna segundo níveis de complexidade hospitalar. Rev Bras Ginecol Obstet. 2012;34(10):453-9. doi:10.1590/S0100-72032012001000002. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbgo/a/JRd3ScrYMHKtJq6bSLz54rS/
Mascarello KC, Horta BL, Silveira MF. Complicações maternas e cesarianas em hospitais privados e públicos no Brasil: estudo de coorte. Rev Bras Epidemiol. 2018;21:e180010. doi:10.1590/1980-549720180010. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbepid/a/dc8g7c9Lq7xvFgqdCTZTCCB/
Vega CEP, Silva AAM, Santos AM, et al. Mortalidade materna tardia: comparação de dois comitês de mortalidade materna no Brasil. Cad Saúde Pública. 2017;33(3):e00197315. doi:10.1590/0102-311X00197315. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csp/a/pQdQ9SSLyJdMLSt4t3jDDTM/
Novo JLVG, Silva AAM, Santos AM, et al. Mortalidade materna por eclâmpsia: análise de fatores associados. Rev Bras Saúde Mater Infant. 2010;10(4):455-61. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbsmi/a/4Z6W4q8HBkMGByNJNBWJs8c/
Correia RAM, Lima ML, Souza AI, et al. Características epidemiológicas dos óbitos maternos ocorridos em área urbana do Brasil. Rev Bras Enferm. 2011;64(4):673-9. doi:10.1590/S0034-71672011000400016. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reben/a/4MwnjN5T3BhMMS
Figueiredo ERL, Miranda CSC, Campos ACV, Gomes FC, Rodrigues CNC, Melo-Neto JS. Influence of sociodemographic and obstetric factors on maternal mortality in Brazil from 2011 to 2021. BMC Womens Health [Internet]. 2024 Feb 1 [cited 2025 Sep 4];24(1). Available from: https://bmcwomenshealth.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12905-024-02925-3
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Manual dos Comitês de Mortalidade Materna [Internet]. 3. ed. Brasília: Ministério da Saúde; 2009 [cited 2025 Sep 4]. Available from: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/comites_mortalidade_materna_3ed.pdf
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 REVISA

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
-
Atribuição — Você deve dar o crédito apropriado, prover um link para a licença e indicar se mudanças foram feitas. Você deve fazê-lo em qualquer circunstância razoável, mas de nenhuma maneira que sugira que o licenciante apoia você ou o seu uso.
- Sem restrições adicionais — Você não pode aplicar termos jurídicos ou medidas de caráter tecnológico que restrinjam legalmente outros de fazerem algo que a licença permita.
