Tendência temporal da colecistectomia no SUS

valores hospitalares e mortalidade hospitalar, 2014–2025

Autores

  • Guilherme Lander do Vale Rodrigues Soares
  • Isabela Bertoncello
  • Maria Victoria Caravelli Zeringotha Almeida
  • Maira Mendes Schenatto
  • Luiza Freitas Pena Oliveira

Palavras-chave:

Colecistectomia, Hospitalização, Mortalidade Hospitalar, Custos Hospitalares, Sistema Único de Saúde

Resumo

Objetivo: Analisar os indicadores de internações, mortalidade hospitalar, permanência e valores hospitalares pagos pelo SUS relacionados à colecistectomia no Sistema Único de Saúde (SUS) do Brasil, 2014–2025. Métodos: Estudo ecológico, retrospectivo, descritivo e analítico com dados do SIH/SUS, obtidos por meio do pacote microdatasus. Calcularam-se taxas por 100.000 habitantes, valores pagos pelo SUS corrigidos pelo IPCA (ano-base 2024) e tendência temporal pela regressão de Prais-Winsten (2014–2024). Os dados de 2025 foram incluídos apenas na descrição da série, por serem possivelmente parciais. Resultados: Registraram-se 2.754.596 internações e 58.541 óbitos hospitalares, com valor total pago pelo SUS de R$ 2,97 bilhões em valores reais. A taxa de internações oscilou entre 64,42 (2020) e 146,84 (2024) por 100.000 habitantes. Em 2020, observou-se redução de 42,5% nas internações, período coincidente com a pandemia de COVID-19. A taxa de mortalidade hospitalar apresentou redução descritiva de 2,26% (2014) para 1,71% (2024). O valor médio real por AIH foi o único indicador com tendência decrescente estatisticamente significativa (β = −R$ 26,77/ano; p = 0,041); taxa de internações, mortalidade hospitalar e permanência foram classificadas como estacionárias. Conclusões: A colecistectomia no SUS apresentou aumento descritivo no volume de procedimentos, redução descritiva da mortalidade hospitalar e tendência estatisticamente significativa de queda do valor médio real por AIH, com perturbação coincidente com a pandemia de COVID-19 e desigualdades regionais persistentes.

Referências

Stinton LM, Shaffer EA. Epidemiology of gallbladder disease: cholelithiasis and cancer. Gut Liver. 2012;6(2):172-87.

Shaffer EA. Gallstone disease: epidemiology of gallbladder stone disease. Best Pract Res Clin Gastroenterol. 2006;20(6):981-96.

Keus F, de Jong JAF, Gooszen HG, van Laarhoven CJHM. Laparoscopic versus small-incision cholecystectomy for patients with symptomatic cholecystolithiasis. Cochrane Database Syst Rev. 2006;(4):CD006231.

Coccolini F, Catena F, Pisano M, Gheza F, Fagiuoli S, Di Saverio S, et al. Open versus laparoscopic cholecystectomy in acute cholecystitis. Systematic review and meta-analysis. Int J Surg. 2015;18:196-204.

Brasil. Ministério da Saúde. Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde. DATASUS. Morbidade Hospitalar do SUS (SIH/SUS). Brasília: Ministério da Saúde; 2026.

Nepogodiev D, Bhangu A, Glasbey JC, Li E, Omar OM, Simoes JF, et al. Elective surgery cancellations due to the COVID-19 pandemic: global predictive modelling to inform surgical recovery plans. Br J Surg. 2020;107(11):1440-9.

Saldanha RF, Bastos RR, Barcellos C. Microdatasus: pacote para download e pré-processamento de microdados do Departamento de Informática do SUS (DATASUS). Cad Saude Publica. 2019;35(9):e00032419.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Estimativas da população residente para os municípios e para as unidades da federação brasileiros. Rio de Janeiro: IBGE; 2024.

Prais WM, Winsten CB. Trend estimators and serial correlation. Chicago: Cowles Commission Discussion Paper n.º 383; 1954.

Brasil. Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Saúde. Resolução n. 510, de 7 de abril de 2016. Diário Oficial da União. 2016 maio 24; Seção 1.

Bittencourt SA, Camacho LAB, Leal MC. O Sistema de Informação Hospitalar e sua aplicação na saúde coletiva. Cad Saude Publica. 2006;22(1):19-30.

Publicado

2026-06-10

Como Citar

Soares, G. L. do V. R., Bertoncello, I., Almeida, M. V. C. Z., Schenatto, M. M., & Oliveira, L. F. P. (2026). Tendência temporal da colecistectomia no SUS: valores hospitalares e mortalidade hospitalar, 2014–2025. REVISA, 15(2), 152–159. Recuperado de https://rdcsa.emnuvens.com.br/revista/article/view/1233

Edição

Seção

Artigo Original