Marcas de uma década
A automutilação em jovens brasileiros (2015-2024)
Palavras-chave:
Automutilação, Adolescente, EpidemiologiaResumo
Objetivo: A automutilação não suicida (AMNS) é um comportamento de lesões autoprovocadas sem intenção de morte, mais comum na adolescência e associado a depressão, ansiedade e vulnerabilidades sociais. Este estudo teve como objetivo analisar a epidemiologia e os fatores associados à automutilação entre adolescentes no Brasil, entre 2015 e 2024. Trata-se de um estudo retrospectivo utilizando dados do SINAN/DATASUS, incluindo 310.609 registros de adolescentes de 10 a 19 anos. Observou-se aumento progressivo dos casos, com maior concentração no Sudeste e predomínio do sexo feminino, especialmente entre 15 e 19 anos. Entre 10 e 14 anos, os meninos apresentaram maior prevalência, e, quanto à raça/cor, brancos predominaram nos mais jovens e pardos entre os mais velhos. Conclui-se que a automutilação apresentou tendência crescente no Brasil, intensificada durante e após a pandemia de COVID-19, refletindo desigualdades estruturais e reforçando a necessidade de políticas públicas de prevenção e promoção da saúde mental na adolescência.
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